A
sociedade burguesa se implantou instituindo, de maneira revolucionária, o
mercado livre e fazendo da sociedade civil um sinônimo deste. Para que o
desenvolvimento dessa sociedade fosse possível, era preciso que a separação
entre o que é público e o que é privado ganhasse contornos mais nítidos. O
Estado liberal – outra forma histórica de Estado – apresenta-se como
desdobramento lógico dessa separação. O Estado liberal pode ser simultaneamente,
representante do público e guardião do privado, A Revolução da burguesia
transformou radicalmente a sociedade feudal na Europa, exigiu uma nova forma de
Estado, com uma estrutura de poder político capaz de manter e ampliar suas
conquistas. Tendo ampliado sua influência na estrutura do Estado e fortalecidos
seu poder econômico, a burguesia acabou por romper com a monarquia absolutista.
As revoluções burguesas defendiam controles impostos pelo mercantilismo. O
Estado absolutista foi substituído pelo liberal, mas certas características do
primeiro foram mantidas e desenvolvidas nesse processo de criação do novo
poder. A soberania do Estado foi uma delas; assim, a progressiva centralização
das decisões políticas se perpetuará. Ser burguês liberal no século XVIII
significava recusar qualquer intervencionismo estatal na economia, sob crença
de que o mundo seria mais saudável se o Estado fosse cada vez mais restrito.
Mas a burguesia liberal, de fato, não desejava abolir o Estado, não se
caracterizando, portanto, como anti-estatal. Essa nova classe iria precisar da
intervenção do Estado para muitos de seus assuntos, entre os quais, como ocorre
ainda hoje, para reprimir a classe operária em suas reivindicações. Em nossos
dias, termo liberal é empregado em muitos sentidos, inclusive para especificar
qualidades de cunho pessoal, como no exemplo: “João é um cara muito liberal”. A
palavra é quase sempre empregada com restrições: João é liberal nisso ou
naquilo. O que é diferente de uma pessoa libertária. A burguesia do século
XVIII, caracterizado como o século das luzes (Iluminismo), reivindicar uma
ampla liberdade nas atividades econômicas, o que significava restringir, mas
não tirar o poder político do Estado, como defendem os libertários.
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